19.5.09

Enveludado Parisiense


O passo apressado do rapaz murmurou-me que era hora de partir.

Entrei na interface do destino a passo de caracol, na esperança de ter perdido a oportunidade de ir.

Respiro fundo. Arrasto-me depressa, e acompanho- te desconhecido. Imito-te a forma de subir pelas escadas, imito-te a maneira como seguras na mala. Embarco. Sem vontade de cumprir o obrigatório. Sento-me ao lado do desconhecido, quero voltar.

A mulher que sonha de boca aberta, relembra-me o quanto custa ter que ir.

Abro a página dos sonhos, e ao meu lado, sentado e distraído, vai o ser humano que espreita de esguelha para a leitura que jaz na existência. Queimo a página, e dou-lhe sinal.

Subo a rua centenária e ignoro-te com um olhar.

E nisto acorda na minha cabeça a conversa que tenho comigo.

"Não gosto de vir aqui. Desperta-me o que de pior tenho na alma"

" Sentes-te com raiva, ódio, rancor, inveja?" Pergunto eu!

" Não. Sinto-me superior!" Respondo-lhe sem hesitar!
E continuo a subir. Até que me adormeça o desejo de voltar a sorrir...

Sem comentários: