
O passo apressado do rapaz murmurou-me que era hora de partir.
Entrei na interface do destino a passo de caracol, na esperança de ter perdido a oportunidade de ir.
Respiro fundo. Arrasto-me depressa, e acompanho- te desconhecido. Imito-te a forma de subir pelas escadas, imito-te a maneira como seguras na mala. Embarco. Sem vontade de cumprir o obrigatório. Sento-me ao lado do desconhecido, quero voltar.
A mulher que sonha de boca aberta, relembra-me o quanto custa ter que ir.
Abro a página dos sonhos, e ao meu lado, sentado e distraído, vai o ser humano que espreita de esguelha para a leitura que jaz na existência. Queimo a página, e dou-lhe sinal.
Subo a rua centenária e ignoro-te com um olhar.
E nisto acorda na minha cabeça a conversa que tenho comigo.
"Não gosto de vir aqui. Desperta-me o que de pior tenho na alma"
" Sentes-te com raiva, ódio, rancor, inveja?" Pergunto eu!
" Não. Sinto-me superior!" Respondo-lhe sem hesitar!
E continuo a subir. Até que me adormeça o desejo de voltar a sorrir...

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