30.9.09

Chama-se José. Cresceu no meio da natureza, nunca foi à escola, não aprendeu a ler e por isso não sabe escrever. A mãe morreu quando tinha 7 anos. O pai escondia-se atrás do álcool e perdia o medo quando espancava José até ela fugir de casa. Na casa da vizinha era abusada sexualmente pelo pai da amiga. Fugiu da aldeia aos 10 anos. Dormiu na rua e pedia esmolas. Levaram-na para uma instituição, matou galinhas, bateu em freiras, roubou esmolas da igreja e nunca mais tiveram mão em José. Aos 13 anos regressa à cidade. Tinha fome, e medo de dormir ao relento. Conhece Tânia, tem 15 anos e consome heroína injectada. José aprende rapidamente a prostituir-se e os mais velhos deliciam-se com o proibido agora disponível a troco de uns tostões. Aos 17 anos conhece um Pedro, com quem criou o famoso processo de simbiose. Ele protegia-a e ela dava-lhe o dinheiro que conseguia com a venda de prazer. José engravida aos 17 anos. Dois dias depois, Pedro é preso por tráfico de droga. José recebe uma visita da Segurança Social enquanto descansava do parto exaustivo: " A sua filha vai para a instituição". José carrega uma mágoa no peito do tamanho da sua vida. Esconde-a com palavras gritadas, e repulsa pelo carinho dado. Vive num quarto sozinha com baratas moscas e térmitas. Visita a filha e volta para o quarto. Conhece Jorge de 22 anos. Propõe um negócio. José lança-se na rua e prostitui-se para que Jorge não a deixe sozinha. José chora sem ninguém ver.
José descobre a magia da heroína e da cocaína. Um dia abraça a speed ball. José dá entrada nas urgências com o diagnóstico de overdose. Minutos antes, José fala comigo e diz que está bem disposta. Quando se dirige para a porta pede-me um cigarro e diz-me a medo : " Hoje vou-me ser a mulher mais feliz do mundo".
2 horas depois José morre no Hospital.
. . . . . . . . . A vida é injusta mas não para ti. . . . .

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